Governo do Distrito Federal
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11/04/20 às 14h11 - Atualizado em 11/04/20 às 14h11

Pessoas em situação de rua aprovam instalações do autódromo Nelson Piquet

Polícia Civil confecciona carteiras de identidade no local. O documento é necessário para o ingresso em programas sociais

 

Atendimento e acompanhamento constante das pessoas abrigadas. Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O dia na “cidade” erguida no autódromo Internacional Nelson Piquet para abrigar pessoas em situação de rua foi de chegada de novos moradores. Vindos de várias partes do Distrito Federal, eles se impressionaram com a estrutura do acampamento montado pelo Governo do Distrito Federal com o intuito de protegê-los da pandemia de coronavírus.

 

É o caso de Marcelo de Jesus Ribeiro, 42 anos. Ele chegou junto com outras pessoas em situação de rua e prometeu: “Pretendo ficar aqui até quando terminar esse negócio [pandemia de Covid-19]”.

 

Marcelo vivia no Setor Comercial Sul. Segundou admitiu, estava com medo de ser infectado pelo coronavírus. Mesmo em meio à carência de coisas básicas, como um lar, onde pudesse tomar banho e comer, ou até mesmo do convívio da família, ele teve o cuidado de usar álcool em gel que uma alma solidária distribuiu. “Estava muito preocupado. Aqui a gente se sente mais seguro. Longe das drogas. O governo está ajudando muito”, reconhece. “O quarto é muito bacana”, emendou.

 

Ao desembarcar do ônibus que passa nas regiões recolhendo os moradores em situação de rua interessados em se abrigar ali, a pessoa assistida recebe alguns atendimentos antes de se incorporar ao convívio social com os demais abrigados no acampamento.

 

O atendimento é feito em salas e de forma individual com orientações sobre o local. Então, primeiro, ele passa pela recepção, onde apanha seu kit de higiene. Em seguida, se dirige ao acolhimento. Neste, conversa com servidores e fala um pouco sobre a sua situação. Depois, informa os objetos pessoais que levou para o lugar e segue para o banho. Somente após essas etapas é que conhecerá seus aposentos, onde poderá passar os próximos 90 dias, o que só depende da vontade dele.

 

Enquanto não conseguir retornar ao Espírito Santo, Aroldo Moreira, 65, disse que vai permanecer ali, pois se sente mais seguro. Eles estavam dormindo na Rodoviária do Plano Piloto porque não tinha dinheiro para voltar para casa. Ele conta que, há uma semana, veio a Brasília tentar destravar o processo de aposentadoria junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

 

Ao tentar retornar para casa, não conseguiu em virtude da pandemia de Covid-19. Ele afirmou que, mesmo tendo direito à gratuidade, os motoristas de ônibus interestaduais não o deixam embarcar, sem pagar, ao menos, a metade da passagem. “Eu teria de desembolsar R$ 90. Mas eu não tenho esse dinheiro”, lamenta.

 

O almoço foi feijoada. A comida foi servida no imenso refeitório disponibilizado no acampamento. Ao dar a primeira garfada, “seu Aroldo”, como já é chamado pelos novos colegas, aprovou o tempero. “Está muito gostoso. Gosto da calabresa”, disse.

 

Enquanto Aroldo saboreava o prato, o subsecretário de Administração Geral da Secretaria de Desenvolvimento Social, Francisco Soares, o Chicão, observava com satisfação o refeitório cheio. “Esse trabalho garante dignidade para essa gente”, comentou.

 

Fonte: Agência Brasília

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