Governo do Distrito Federal
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19/12/12 às 21h40 - Atualizado em 29/10/18 às 11h42

Sedest e Codeplan divulgam resultados da pesquisa sobre os Restaurantes Comunitários do DF

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Sedest e Codeplan divulgam resultados da pesquisa sobre os Restaurantes Comunitários do DF

A pesquisa teve como objetivo identificar as características dos usuários dos restaurantes, seus perfis de consumo de alimentos, além de avaliar os serviços prestados.

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A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) e a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), divulgaram nessa terça-feira (18) os primeiros resultados da “Pesquisa de Identificação e Percepção dos Usuários dos Restaurantes Comunitários do Distrito Federal”.

O ato contou com a presença de Julio Miragaya, presidente da Codeplan, de Osvaldo Russo, Diretor de Políticas Sociais da Codeplan, de Jusçanio de Souza, da Diretoria de Estudo e Pesquisas Socioeconômicas, de Abiail Ferreira, presidenta do Consea – DF, de Maria de Fátima Carvalho, Subsecretária de Segurança Alimentar e Nutricional da Sedest e de Daniel Seidel, Secretário de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda.

A pesquisa foi solicitada pela Sedest com objetivo de obter informações e subsídios que auxiliassem no aperfeiçoamento da gestão dos Restaurantes Comunitários e, consequentemente, o realinhamento às finalidades desses Equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional, política do Governo Federal que segue as diretrizes do Ministério do Desenvolvimento social e Combate à Fome (MDS).

Para a realização da pesquisa, foram aplicados 4.900 questionários nos 13 Restaurantes Comunitários do Distrito Federal, localizados nas Regiões Administrativas de Brazlândia, Ceilândia, Itapoã, Gama, Paranoá, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Estrutural e Sobradinho II, durante os meses de agosto e setembro.

Osvaldo Russo parabenizou a Sedest pela iniciativa e destacou que a Pesquisa é o primeiro instrumento de avaliação dos Restaurantes Comunitários aplicado pelo GDF desde que foram implantados tais equipamentos públicos e que a mesma deve servir de referência para outras avaliações da política, inclusive em âmbito nacional. “A pesquisa demonstrou que a refeição servida nos Restaurantes Comunitários é de boa qualidade e em quantidade suficiente, ela demonstra também que a maior parte dos frequentadores dos Restaurantes são moradores das regiões onde os mesmos estão instalados. O próximo passo é realizar uma análise aprofundada sobre cada um dos Restaurantes Comunitários”, disse.

Fátima Carvalho, Subsecretária de Segurança Alimentar e Nutricional da Sedest, falou sobre o desafio de garantir sabor, saúde e dignidade diariamente a mais de 40 mil pessoas e reforçou que os Restaurantes Comunitários devem estar cada vez mais adequados à política nacional de segurança alimentar. “Os Restaurantes não podem ser vistos como algo comercial, e sim como equipamentos que garantem o Direito Humano a Alimentação Adequada. Além disso, é fundamental que sejam espaços para a Educação Alimentar e Nutricional e que contribuam para a prevenção de doenças”, concluiu.

Para Daniel Seidel, da Sedest, os dados da pesquisa irão possibilitar o aprimoramento da política. “Fico feliz com a pesquisa e sei que é resultado dos investimentos realizados no quadro de servidores. A partir desse estudo poderemos pensar em estratégias para criar condições para que a população mais vulnerável, a população em situação de rua, tenha mais acesso aos Restaurantes Comunitários”. O Secretário ainda antecipou novidades. “Já está em estudo a ampliação de refeições. No Restaurante do Sol Nascente, previsto para 2013, será realizado projeto piloto com oferta de jantar”, finalizou.

Conheça alguns dos resultados da Pesquisa

Perfil sociodemográfico dos usuários

• A maior parte dos usuários entrevistados é do sexo masculino (67,5%), sendo que o maior percentual de homens foi observado em Samambaia (80,8%) e o menor, no Paranoá e em Ceilândia (cerca de 62%).

• A média de idade dos entrevistados é de 43 anos, variando de 18 a 92 anos de idade. Os usuários do restaurante de Ceilândia apresentam a média de idade mais alta (49 anos), e a menor média de idade foi observada entre os usuários dos restaurantes do Itapoã e da Estrutural (38 anos). • Cerca de 25% dos entrevistados são naturais do DF, seguidos pelos nascidos em Minas Gerais, Bahia, Goiás, Piauí e Ceará. Apenas em São Sebastião, foi observada maioria de usuários naturais de outro estado (Minas Gerais), e não do DF.

 • Em todos os restaurantes, mais de metade dos usuários reside na própria região administrativa (RA) onde se localiza o restaurante, com exceção dos usuários do restaurante da Estrutural (48,1%). Aproximadamente 7% dos usuários residem na RIDE, sendo que a proporção mais alta foi observada no restaurante do Gama (17,1%).

• A média de pessoas que vivem no mesmo domicílio dos usuários é de 3,5, e em todos os restaurantes se manteve entre 3 e 4. Quase 85% dos usuários entrevistados relataram que nenhum, ou somente 1 ou 2 outros membros da família também frequentam o restaurante. Apenas 0,1% vivem em situação de rua, e outros 0,1% em abrigo, albergue ou semelhante.

• A maior parte dos frequentadores (84,5%) possui escolaridade entre o ensino fundamental incompleto (26,5%) e o ensino médio completo(30,6%). Os usuários dos restaurantes de Planaltina, Ceilândia e São Sebastião apresentaram maior proporção de usuários com ensino fundamental incompleto. As maiores proporções de usuários analfabetos foram observadas nos restaurantes de Itapoã e do Paranoá (mais de 4%) e a menor, no de São Sebastião (0,7%). Por outro lado, nos restaurantes do Gama e de Brazlândia, 7,8% dos usuários possuem ensino superior completo. Nos restaurantes de Santa Maria e Itapoã, os usuários apresentaram a menor proporção de frequentadores com nível superior completo (cerca de 2%).

• As ocupações mais relatadas foram: assalariado com carteira assinada (34,1%), autônomo (conta própria) (23,1%) e aposentado/pensionista (16,6%). No restaurante de Ceilândia, foi observada maior proporção de aposentados (30,9%), e nos restaurantes de Itapoã e de Ceilândia, foram observados os maiores percentuais de desempregados (9,1% e 6%, respectivamente).

• A renda familiar predominante foi de 1 a 5 salários mínimos (SM) (67,6%), sendo que, no restaurante de Planaltina, foi observada a maior concentração de usuários em faixas mais baixas. Quanto à renda familiar per capita, a concentração maior ocorreu nas faixas entre R$311,00 e R$500,00 (21,3%) e entre R$140,00 e R$250,00 (18,7%). No restaurante de Planaltina, mais da metade dos usuários possui renda familiar per capita de até ½ SM. Considerando todos os restaurantes, 36,5% dos usuários possuem renda familiar per capita de até ½ SM; 8,4% dos usuários são pobres, e 1,6% são extremamente pobres.

• Entre os usuários entrevistados, 66,1% não recebe benefícios sociais. O benefício mais citado pelos usuários foi o Bolsa Família (20,4%), seguido pelo Bolsa Escola-DF (10,1%), Benefício de Prestação Continuada (BPC) (3,3%) e Bolsa Social-DF (2,5%). Maior percentual de usuários do restaurante do Gama relatou receber benefícios, enquanto os menores percentuais foram observados nos restaurantes de São Sebastião e Itapoã. • Em média, os usuários dos restaurantes comunitários fazem outras duas ou três refeições, além do almoço. As refeições predominantes são café da manhã e jantar, seguidas pelo lanche da tarde.

Hábitos de consumo nos Restaurantes Comunitários

• A média de frequência dos usuários ao restaurante comunitário é de 3,6 vezes, variando entre 3,3 (Paranoá) e 4,1 (SCIA/Estrutural). Quando o restaurante não existia ou quando ele está fechado, a maior parte dos usuários entrevistados almoçava/almoça em casa ou na casa de familiares/amigos (69,5%), seguidos pelos que almoçavam/almoçam em outro restaurante (18,6%). Apenas 0,6% não almoçavam/não almoçam.

• Em todos os restaurantes, 59,1% dos usuários entrevistados relatou comprar apenas refeição, 24,9% relatou comprar refeição e marmita e 16,0% relatou comprar apenas marmita. A média de marmitas compradas, a cada ida ao restaurante, é de 2,2. Embora a maior parte dos respondentes não leve outras pessoas para ajudar a comprar, à medida que aumenta o número de pessoas que ajudam, aumenta também a quantidade de marmitas compradas.

• Os motivos mais citados para a compra de marmita foram: levar para alguém da família (52%), prefere comer em casa (39,6%) e leva para o jantar (28,3%). Os principais motivos para os usuários frequentarem os restaurantes comunitários são: o preço acessível (78,6%), gostar da refeição (72,7%) e considerar a refeição saudável (51,9%).

• Quase metade dos usuários (49,0%) não utiliza outros itens na refeição (sal, azeite, farinha, pimenta e vinagre). O restaurante do Gama é onde um menor percentual de usuários faz uso desses itens, ao contrário do de Santa Maria, onde um maior percentual de usuários utiliza esses itens. Os itens mais usados são sal e azeite (23,2%), e o menos usado é vinagre (8,1%).

Avaliação dos Restaurantes Comunitários

• As avaliações positivas foram predominantes, sendo que o item com melhor avaliação foi “refeição saudável”. À exceção do item “sabor”, cuja proporção de respostas “regular” correspondeu a 48,8% dos usuários, e “bom” correspondeu a 47,8%, mais da metade dos entrevistados avaliou os demais itens como bons – “atendimento”, “ambientação”, “higiene” e “refeição saudável”. Poucos usuários avaliaram esses itens dos restaurantes como ruins, ultrapassando o percentual de 10% apenas no item “higiene” para o restaurante de Ceilândia (10,4%) e no item “ambientação” para o de Santa Maria (11%). O restaurante de Sobradinho II obteve melhor avaliação em todos os itens, principalmente ambientação, higiene e refeição saudável. Já o de Samambaia foi o que obteve menos avaliações positivas e mais avaliações regulares em todos os itens.

• A quantidade de alimentos servida foi considerada adequada por mais de 70% dos respondentes em todos os itens, à exceção da carne (62,2%). Em Sobradinho II observou-se a maior proporção de respondentes que consideram a quantidade excessiva de alimentos servida, especialmente de arroz (41%).

• Observou-se uma correlação significativa fraca entre o valor do subsídio e as avaliações sobre a qualidade do restaurante e a quantidade de alimentos, indicando que, quanto mais alto o subsídio, aumentam as chances de que os usuários avaliem o restaurante positivamente e considerem a quantidade de alimentos suficiente ou muita.