Governo do Distrito Federal
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9/02/21 às 17h25 - Atualizado em 18/02/21 às 11h03

Chega ao Noroeste a Campanha contra o Trabalho Infantil

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A ideia é mobilizar comerciantes e moradores para que eles não façam doações nem comprem mercadorias de crianças em situação de rua

 

A Campanha contra o Trabalho Infantil chegou ao Setor Habitacional Noroeste. Uma reunião realizada nessa quinta-feira (4) marcou o apoio da comunidade da área ao trabalho de conscientização organizado pelo GDF que já mobiliza moradores e comerciantes de várias regiões administrativas do Distrito Federal,  a exemplo de Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste, Cruzeiro e Taguatinga.

 

É objetivo da Campanha sensibilizar as comunidades por meio da divulgação de material sobre os riscos de estímulo a  esse delito com a compra de mercadorias oferecidas por crianças e adolescentes em situação de rua. Isso também pode ser feito, como foi orientado, por meio de conversa dos líderes de cada região com moradores para orientá-los para evitar doações porque também podem favorecer os exploradores.

 

A iniciativa tem o apoio dos Conselhos Tutelares, dos Conselhos Comunitários de Segurança (Conseg), da Polícia Militar, e do Fórum de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e de Proteção ao Trabalhador Adolescente no Distrito Federal (Fórum PETI-DF), coordenado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Em Taguatinga, a ação é integrada com o Creas Taguatinga.

 

Foco no comércio

 

Coordenadora do Creas Brasília, Juliana Castro aponta que o foco da campanha é o comércio da região, porque são nos estabelecimentos dessa atividade que se concentram os pedintes, entre eles crianças e adolescentes submetidos a esse tipo de exploração.

 

Na reunião com os comerciantes do Noroeste, a gestora explicou que, com a ajuda dos moradores, é possível identificar e levar esses casos ao Conselho Tutelar e ao Serviço Especializado de Abordagem Social para conversar com as famílias para que elas não venham com as crianças para rua. “Se quiser vir, que venha um adulto. O foco é evitar crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil nos espaços públicos”, destacou.

 

Moeda de crack

 

Segundo a coordenadora, o trabalho deve ser direcionado à população como um todo para que eles entendam que a doação e a compra das mercadorias incentivam o trabalho infantil.  “Eles ficam com pena, mas quem está na rua está exposto ao uso de drogas, ao tráfico, à exploração sexual. Têm crianças alugadas. A família empresta para o vizinho em troca de R$ 50 para elas passarem o dia na rua. Tudo é moeda de troca na rua. Você doa comida, mas a comida, por exemplo, nem sempre é para servir de alimentação, pode ser trocada por uma pedra de crack”, conta.

 

A Campanha ganhou o apoio de Glaucio Carmargos, proprietário de uma escola no Noroeste e morador da região há cinco anos. “Se nós não fizermos as doações de forma correta, seremos os primeiros a estimular que eles fiquem aqui. Essas explicações para nós são muito boas, porque, às vezes, ficamos iludidos com uma situação momentânea e acabamos causando, na verdade, um mal àquela criança. O Noroeste é um bairro novo, temos que mudar agora essa hábito”, ressaltou.

 

Alexander Menezes, que é síndico do condomínio onde mora no Noroeste, avaliou que fazer essa prevenção também é importante para evitar o aumento da criminalidade na região. “As pessoas são generosas, querem fazer doação, querem minimizar o problema e acabam fazendo da forma errada, que é doando, atraindo pessoas em situação de rua. O Noroeste é um bairro muito tranquilo ainda, com um índice de criminalidade muito baixo. Mas é preciso prevenir, até para evitar aumento de crimes, pequenos furtos”, ponderou.

 

Campanha

 

O presidente da Associação Dos Moradores do Noroeste (Amonor), Antônio Custódio Neto, lembra que, no caso do Noroeste, ainda não houve aumento de crianças em situação de rua. O problema, segundo ele, são alguns indígenas e famílias de catadores que insistem em pedir dinheiro no comércio. “As pessoas em situação de rua do Noroeste são dessas comunidades, elas pedem, principalmente, na porta das padarias. Depois, voltam para a casa”, relata.

 

No caso do Noroeste, há comunidades indígenas das etnias Fulnio Tapuia, Kariri Xokó, Tuxá e Guajajara que vivem em área próxima demarcada para eles. Todos são acompanhados pelo Creas Diversidade, unidade de atendimento coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) voltada especificamente para atender situações de discriminação, por orientação sexual, identidade de gênero, raça, etnia ou religiosidade. Já as famílias de catadores moram em uma invasão que também fica nas proximidades, que é assistida pelas equipes da Abordagem Social.

 

“Eles recebem assistência, têm acesso a benefícios sociais por meio das equipes socioassistenciais e são orientados a não levar as crianças para pedir dinheiro. Mas há uma dificuldade porque eles querem doações e usam os menores para sensibilizar as pessoas”, explicou a coordenadora do Creas Brasília aos comerciantes. “Essa campanha também tem o objetivo de colaborar na mediação na relação entre os moradores do Noroeste e essas comunidades. O Noroeste é um lugar novo, têm muitas pessoas de alto poder aquisitivo. Então, a chance de a doação ser grande é maior. É a hora certa de começar esse trabalho”, enfatiza Juliana Castro.

 

Antônio Custódio Neto se mudou para o Noroeste há oito anos e foi o terceiro morador da região. “Nossa ideia é usar as redes sociais da Associação e o acesso aos síndicos dos 93 condomínios da região para chegar ao morador. Aliado ao trabalho de panfletagem, para que o próprio comerciante possa instruir o morador a não dar esmola”, pontua.

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