Governo do Distrito Federal
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23/09/13 às 17h58 - Atualizado em 29/10/18 às 11h44

Brasília, cidade acolhedora

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Domingo, 22 Setembro 2013 15:57

Brasília, cidade acolhedora    

Mateus Rodrigues, ComCopa

Daniel Seidel em entrevista

    Em entrevista exclusiva ao PORTAL BRASÍLIA NA COPA, o secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, Daniel Seidel, destaca a importância de projetos como Cidade Acolhedora e o Centro Pop, que atende pessoas em situação de rua. Ele ressalta, ainda, a superação da extrema pobreza no Distrito Federal. 33 mil famílias beneficiadas passaram a receber complemento de renda do DF Sem Miséria com aumento do valor, de R$ 100 para R$ 140

O Distrito Federal vai iniciar o próximo ano comemorando não apenas a oportunidade de sediar sete jogos da Copa do Mundo, mas especialmente a superação da pobreza e o acolhimento de toda a população em situação de rua. “Entraremos em 2014 como a cidade-sede que superou a pobreza”, afirma o secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, Daniel Seidel.
Considerada a melhor do país, a política do DF dentro do programa Brasil Sem Miséria já tirou da extrema pobreza, milhares de brasilienses. Mas os gols na área social não param por aí. Iniciado em agosto, o projeto Cidade Acolhedora tem como meta encaminhar 100% das pessoas em situação de rua para centros de acolhimento por meio de uma abordagem ativa e humanizada.
Seidel fala da importância da política de segurança alimentar e nutricional que atende, em media, 40 mil pessoas por dia, nos 13 restaurantes comunitários. Ele destaca, ainda, o legado social das obras e dos programas de qualificação profissional ligados à Copa do Mundo de 2014. “Lutamos para que Brasília, além de capital da Copa, seja também uma capital social”, ressalta o secretário.

Nos primeiros jogos no novo Mané Garrincha, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) levou estudantes do segundo grau de escolas públicas e catadores do lixão da Estrutural para atuar como agentes ambientais, conscientizando os torcedores dentro e nas imediações do Mané Garrincha. Qual foi o legado da iniciativa?
O primeiro legado foi promover essa troca de saberes. Os estudantes desconheciam a luta dos catadores de lixo por uma inserção produtiva, pela necessidade de uma vida mais digna. Havia um distanciamento, e mesmo os estudantes filhos de catadores tinham vergonha de contar isso aos colegas. O segundo legado foi a própria presença destas pessoas no estádio, oportunidade que eles, talvez, não teriam por conta própria.

Também foi muito importante a parceria que fizemos com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), para que os catadores entendam a importância de se aprimorarem e se capacitarem como gestores. A intenção é retirá-los do lixão da Estrutural e criar espaços em galpões, com divisão de tarefas, organização e dignidade para o trabalho. Para isso, é preciso que estes profissionais estejam qualificados.

Que outras ações a Sedest desenvolve tendo em vista aqueles que mais precisam e quais as metas até a Copa do Mundo de 2014?
Durante a Copa das Confederações, demos às pessoas em situação de rua do Distrito Federal a oportunidade de assistir aos jogos no Centro Pop da 904 Sul, com tudo o que temos em nossas casas: televisões, pipoca, refrigerante, camisas personalizadas.

A nossa expectativa é que, na Copa do Mundo de 2014, não exista mais ninguém em situação de rua no DF. Nesse espírito, desenvolvemos a partir deste semestre o Cidade Acolhedora, projeto que garante apoio, orientação e acompanhamento a estas pessoas sem moradia.

Neste primeiro ano serão investidos R$ 6 milhões no programa e contratadas 164 pessoas. No total são 28 equipes (cada uma formada por 5 pessoas).

Como exatamente funciona o projeto Cidade Acolhedora?
O serviço de abordagem, iniciado em agosto deste ano, já tem adesão de 20% das pessoas contatadas. Qualquer cidadão que veja alguém em situação de rua, em más condições, sem dignidade, pode repassar a informação pelo telefone 156 – opção 1. A partir deste contato, uma das 28 equipes do projeto localiza a pessoa e a encaminha para um centro de acolhimento. Em cada equipe, temos um ex-morador de rua que conhece a vivência e a linguagem destes cidadãos em situação de vulnerabilidade, o que também humaniza a nossa abordagem.

 Quais são os maiores benefícios e os próximos passos dessa política de assistência à população de rua?
Considero que o dinamismo que a Copa do Mundo criou no DF possibilitou o desenvolvimento de uma ação mais arrojada na área social. Temos um resultado qualitativo importante, mas precisamos agora ampliar a infraestrutura. Com o sucesso do Centro Pop na Asa Sul, surgiram demandas para a expansão da rede para a Asa Norte e outras regiões administrativas. Lugares onde as pessoas possam ser acolhidas com dignidade, tomar banho, participar de oficinas, tirar documentos, adquirir cidadania.

A partir desse primeiro cuidado, esses cidadãos são encaminhados, por exemplo, à Escola do Parque, onde passam por triagem e voltam a estudar do ponto em que interromperam o aprendizado. Para as crianças e adolescentes em situação de rua, também reformamos espaços e estamos repensando a forma de atuação, para que os serviços de convivência e acolhimento sejam cada vez mais atraentes.
Daniel S2

Em julho deste ano, o Distrito Federal marcou outro gol na área social ao aprovar a ampliação da renda mínima das famílias beneficiadas no programa DF Sem Miséria. Essa verba adicional já está sendo repassada?
O repasse começou em agosto, para famílias com crianças menores de seis anos ou idosos com mais de 65 anos. Até dezembro, todas as famílias que, hoje, têm a renda complementada com até R$ 100 por pessoa passarão à renda mínima de R$ 140. Entraremos em 2014 como a cidade-sede que superou a pobreza.

Que resultados já podem ser percebidos?
A experiência do DF na suplementação de renda foi reconhecida como a melhor do Brasil, há duas semanas, em um seminário do Brasil Sem Miséria. Temos como uma de nossas características esse protagonismo nessa área.

Lutamos para que Brasília, além de capital da Copa, seja também uma capital social. Ou seja, uma capital que cuida dos seus cidadãos, mas cuida também de todos que nos visitem, atraídos pela Copa. As pessoas veem Brasília como a “terra das oportunidades”, e queremos criar este mapa, traçar planos de longo prazo, estimular o microempreendedorismo dessa população que sai da pobreza e dinamizar ainda mais a economia local.

Iniciativas como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal; o Fábrica Social, da Secretaria Extraordinária da Copa 2014; e o Qualificopa, da Secretaria de Trabalho, estão inseridas nessa mesma lógica de qualificação profissional?
Exatamente. Em parceria com outras áreas do governo, buscamos trabalhar em três eixos: garantia de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva. Não há condições de incluir pessoas se você não as qualifica. Se não houver capacitação, os empregos que elas poderão acessar, mesmo com carteira assinada, pagarão muito mal. A qualificação cria oportunidades adicionais. Via Pronatec, por exemplo, tivemos 8,2 mil vagas para cursos técnicos de 800 a 2 mil horas. Em menos de cinco dias, 6 mil vagas foram ocupadas por pessoas com ensino médio completo.

Há uma busca pela qualificação profissional, e uma demanda tanto por empregos quanto pelo empreendedorismo. Existe, ainda, uma pressão grande para que o governo crie espaços de oportunidades. Feiras, centros de compras, para que os próprios turistas possam usufruir deste mercado emergente. Desde o setor de alimentação, passando pelos artesanatos, suvenires temáticos de Brasília e do Brasil até o setor de serviços.

E qual a inovação do Fábrica Social, executado pela Secopa, em relação a outros programas de qualificação?
No Fabrica Social as pessoas são selecionadas a partir do Bolsa Família e geram, por dois anos, uma renda a mais pelo seu nível de dedicação à atividade profissional. Quando você remunera a produtividade, em vez de punir a ausência, estimula pelo lado positivo e fortalece o empenho dessas pessoas.

Em breve, poderemos ter estas famílias como empreendedoras individuais ou cooperativas. Da parte do governo, da nos comprometemos a adquirir toda a produção destes trabalhadores, assim como fazemos com a agricultura familiar. Com isso, posicionamos o desenvolvimento social como uma alavanca para o crescimento econômico.

Seguindo esse pensamento, podemos dizer que a construção do Estádio Mané Garrincha e a recepção da Copa do Mundo deixam um legado social, além das estruturas físicas que foram construídas?
A preparação para receber os grandes eventos eleva a qualidade de vida da população. Tem um impacto forte, por exemplo, na redução da violência. Cria-se um espaço de convivência, para que cada vez mais brasileiros e brasilienses se apropriem do estádio como uma área cultural, esportiva. O grupo de voluntários doadores de sangue que utilizou o espaço da arena, por exemplo, reforça esse caminho de uma capital social para o Distrito Federal.

Todo o legado permanece, porque representa um aumento na prestação de serviços públicos à população. Esse capital social não desaparece após a Copa, mas fica inclusive para as futuras gerações.
Um dos programas da política de segurança alimentar e nutricional da Sedest são os restaurantes comunitários. Qual o público e a demanda?
O público-alvo dos 13 Restaurantes Comunitários são pessoas que se encontram em situação de insegurança alimentar, principalmente de baixa renda. O valor cobrado aos usuários, por refeição com direito a suco e sobremesa, é de apenas R$1,00, e o valor para a produção da refeição é complementado pelo Governo do Distrito Federal. São servidas em média, cerca de 40 mil refeições/dia. Um milhão por mês, de segunda a sábado.